1.2.10

mudança

e então, que o blogspot me encheu. cansei dos erros de formatação, das alterações malucas no html que eu não sei de onde aparecem e, quando aparecem, não sei consertar. também não sou nenhuma expert em html, admito. enfim, já deu, dor de cabeça demais.
tô aqui tentando fazer um bicho novo, bonitinho no wordpress. já tá no ar e tudo.
novo link, então, procês poderem migrar comigo pra lá:

http://bichosoltoblog.wordpress.com/

já tem texto novo por lá, esperando visitas!
:-)

sete mil vezes

consta nos astros, nos signos, nos búzios
eu li num anúncio, eu vi no espelho,
tá lá no evangelho, garantem os orixás
serás o meu amor, serás a minha paz

consta nos autos, nas bulas, nos dogmas
eu fiz uma tese, eu li num tratado,
está computado nos dados oficiais
serás o meu amor, serás a minha paz

mas se a ciência provar o contrário,
e se o calendário nos contrariar
mas se o destino insistir em nos separar
danem-se os astros, os autos, os signos, os dogmas
os búzios, as bulas, anúncios, tratados, ciganas, projetos
profetas, sinopses, espelhos, conselhos
se dane o evangelho e todos os orixás
serás o meu amor,
serás, amor, a minha paz

pelos nossos 7 anos, amor.
e pela certeza de que, seja como for,
e digam os astros o que disserem,
nascemos para ser assim:
juntos.

imagem: fragmentos

29.1.10

do tempo que passa, das coisas que ficam

hoje revi papéis antigos, papéis que não mexia já há pelo menos uns seis anos, e seis anos hoje já é toda uma vida. eu tenho uma coisa estranha com papéis escritos, sentimentos palavreados, tocam-me sempre, mesmo quando já não são. e por trás dos sentimentos, pessoas. lembrei de todas, uma por uma. foi como viajar no tempo, sem data marcada nem relógio contando o tempo, só borboleteando entre memórias e sentires e carinhos e distâncias irremediáveis. eu tenho um sentimento por algumas pessoas que passaram pela minha vida que nem sei como nomear, talvez seja uma espécie de gratidão. são pessoas que se foram mas deixaram um pedacinho delas comigo, porque me ensinaram a ver, a olhar pras coisas. parece besta, dito assim, olhar pras coisas. mas é tão raro a gente olhar de verdade que quando a gente aprende a olhar de fato, a contemplar uma coisinha por pequenina que seja, já brota no peito um contentamento reluzente feito vestido em dia de missa. milagrezinho batendo na porta. e essas pessoas, são poucas mas escolhidas a dedo, e de vez em quando bate uma saudade. não é saudade de querer de volta, nem é saudade de arrependimento de que tenha ido, é só uma saudadezinha avexada de quem sabe que era tão importante, e tão bonito. e é bom a gente lembrar das histórias assim aos bocados, feito roupa no varal do tempo. pedacinho de poesia guardado embrulhadinho no canto da gaveta pra saborear depois, pelas beiradas, pra ver se devagarinho não acaba nunca.
hoje eu saboreei um pedacinho.
não, não. foi um pedação.


28.1.10

keep walking

sempre quis fazer algo que brilhasse pra mim. não dá certo comigo mim essa de trabalhar em qualquer coisa pelo salário no final do mês, viver de verdade no final de semana e passar o ano inteiro esperando pelos trinta dias de férias. trabalho pra mim tem que ser de verdade, tem que ser feito com o coração, tem que ter um significado, tem que ser alguma coisa que eu goste, que eu saiba fazer, que eu acredite e possa fazer bem. e quantas e quantas vezes escutei por aí que isso era romantismo puro, bobagem de quem ainda não viveu o suficiente pra saber das verdades do mundo, idealismo besta que fenesceria antes que eu cruzasse a barreira dos trinta. bem, já cruzei a barreira dos trinta e não deixei de acreditar, não deixei de correr atrás e nem larguei o que eu acredito pelo meio do caminho. bem, larguei muita coisa. mas o que eu larguei, não foi porque desisti, foi porque já tinha morrido pelo meio do caminho. de tudo, só deixei que ficasse na beira da estrada aquilo que já não pulsava mais, porque não quero carregar peso morto comigo. e é assim mesmo, e é natural que seja, a gente muda e transforma e renasce e o que brilhava já não brilha mais, mas tem tanta coisa nova que passa a brilhar que é mesmo bobagem ficar chorando pelo que já não é mais. e eu descobri novas paixões e reinventei as antigas, e segui levando adiante debaixo do braço tudo o que ainda fazia meu coração bater mais forte, por mais que me olhassem de canto de olho e achassem risível minha esperança pueril de fazer o que gosto, do jeito que acredito. sim, aprendi a fazer concessões, coisa que nem imaginaria fazer alguns anos atrás. aprendi que não se pode ter tudo, mas não aprendi a me contentar com pouco, e nem vou. e depois de muita caminhada e muito tropeço, e muito enfiar a cara no meio dos joelhos pra chorar o cansaço aqui e ali, as coisas começam a acontecer. e é bom, tão bom ver o que a gente faz florescendo, indo adiante, dá um orgulho gostoso, uma sensação boa de estar fazendo o que se veio ao mundo pra fazer. aquela coisa de dom que vem a gente nem sabe de onde, mas não dá pra negar. e agora é que eu não volto atrás mesmo, vou adiante e sei que tem muita coisa boa me esperando, não porque caiu do céu, mas porque eu fiz por merecer. e tô feliz demais por isso.

imagem: Irisz Agocz

27.1.10

cumple

hoje é dia especial. aniversário de mãe, não dá pra passar em branco, né?
pois é. por isso que tô rasgando a seda, aqui.

25.1.10

hope

pois sabe de uma coisa, vou me permitir acreditar. sim, de novo, mais uma vez, é sim. não tem jeito, sou teimosa, cabeça-dura e tudo mais, e a esperança é pra mim um vício que não consigo largar, não há tratamento de choque que dê jeito. por mais que eu caia e me esfole e me rale toda, no dia seguinte já escondi os machucados, já me enchi de band-aids coloridos e simpáticos, os hematomas já não me dóem tanto e eu até acredito que a queda não foi tão feia assim. auto-engano? não, salvação. porque no dia em que eu deixar de acreditar, no dia em que eu perder a vontade de seguir em frente, no dia em que pra mim a esperança não for mais do que uma palavrinha bonita pendurada numa página qualquer do dicionário, eu não sei o que vou fazer do dali pra frente. porque quem não acredita se estrumbica. quem não acredita perde a chance de tentar. quem não acredita não mergulha, não vai atrás do arco-íris, quem não acredita desiste e se entrega, e eu não nasci pra me entregar, não mesmo. se tem uma coisa que eu sei, com cada pedacinho carne-viva desse coração remendado, é isso. eu posso ter nascido pra cair e quebrar a cara, mas também nasci pra levantar, e seguir em frente. sorrindo.

22.1.10

banzo

tenho um amigo que diz que não importa tudo mais que aconteça, a gente não esquece de quem é importante. mesmo que a pessoa não esteja mais com a gente, porque deu adeus sem olhar pra trás ou porque já está lá do outro lado da vida, a gente carrega dentro do peito num lugarzinho especial, e a gente não esquece. tenho pensado muito nisso, nos últimos dias. tem tanta gente que já foi importante pra mim e hoje está longe demais pra fazer a diferença. não longe fisicamente, entende, que a distância física é a menor das distâncias, no final das contas. tem gente que está a quilômetros de distância mas eu carrego mais junto de mim do que o vizinho que cruzo todos os dias. mas é quando a pessoa fica longe porque a gente já não sente mais, fica longe porque a gente não tem mais o que dizer e o silêncio passa a ser só isso mesmo, um silêncio. engraçado isso, os silêncios sempre foram um termômetro pra mim, uma forma certeira de saber o quanto aquela pessoa tinha um lugar aqui dentro. do lado de quem eu carrego comigo, eu fico em silêncio sem ansiedade nenhuma, sem pressa. mas do lado de quem inexiste do meu lado de dentro, o silêncio me deixa impaciente e ressabiada, numa vontade enlouquecida de preencher o vazio. curioso, isso, porque o silêncio é o mesmo. ou não. porque um é vazio mesmo, feito um quarto abandonado no final da mudança, enquanto o outro é pura poesia, pura inteireza da existência, é puro sentimento que não precisa de palavra pra gente saborear. engraçado, sabe que eu nem sei mais porque é que comecei a escrever sobre isso. acho que eu ando é com saudades desses silêncios coloridos que os que eu amo me presenteiam, eu ando com saudades de não dizer e ser entendida, ando com saudades de colher abraços que não pedi, mas preciso. ah, essa saudade é imensa, sim.

imagem: we love it

21.1.10

em círculos

“Toda alegria é assim: já vem embrulhada numa tristezinha de papel fino.” (Millôr Fernandes)

num dia chora, no outro ri.
uma hora espera, na outra desiste. um dia acredita, no outro duvida. reluz agora, para apagar depois.
primeiro resiste, depois entrega. um dia acolhe, no outro afasta. acarinha agora, para maltratar em seguida. num dia diverte, no outro resmunga. num dia faz graça, no outro faz birra. constrói agora o que destrói depois. num momento caminha adiante, no instante seguinte só olha pra trás. hoje se afoga em saudades, amanhã desapega de tudo como se nada fosse. uma hora controla, depois deixa ser. num segundo se doa, no outro se nega. entrega aqui para recolher adiante.
quando tudo começa de novo, deseja o fim como se nada mais houvesse. quando ao redor há sorriso e toque e esperança, sente um vazio imenso lhe apertando o peito e não sabe direito pra onde ir. quando a vida renasce, morre um pouquinho por dentro. quando o dia amanhece, encolhe e se esconde entre as sombras da noite.
já não sabe o que quer, já não sabe para onde vai, já não sabe mais do que pode ser, e teme já não ter mais forças para descobrir.
tem muito medo de acreditar, e mais ainda de desistir.

14.1.10

si quieres

Se me quiseres amar,
terá de ser agora: depois
estarei cansada.

Minha vida foi feita de parceria com a morte:

pertenço um pouco a cada uma,

pra mim sobrou quase nada.
Ponho a máscara do dia,

um rosto cômodo e simples,

e assim garanto a minha sobrevida.
Se me quiseres amar,

terá de ser hoje:

amanhã estarei mudada.


(Lya Luft)


é assim que somos:

a cada novo dia, uma nova chance (ou não).

hoje,

você vem?


imagem: Majeak Ann

13.1.10

respeito é bom

se tem uma coisa que me tira do sério é desrespeito, seja do jeito que for. desrespeito ao jeito de ser do outro, às diferenças, desrespeito à opinião alheia. pra mim a beleza do mundo reside na diversidade, no colorido, na pluralidade. se todo mundo pensasse igual, imaginem só que chatice! agora, pra pluralidade ser bacana e pacífica, tem que saber que ninguém é dono da verdade. aliás, verdade é um conceito traiçoeiro pra burro. existirá de fato UMA verdade? não acredito. existe a minha verdade, a tua, a do vizinho. mas nenhuma é mais certa que a outra, nem vale mais. então, ninguém tem o direito de vir colocar o dedo no nariz do outro desqualificando uma opinião. debater é ótimo. faz crescer, tira a gente da zona de conforto, estimula a reflexão. mas tem que ser com respeito, com maturidade, com elegância. gente que curte discordar pelo simples prazer de ver o circo pegar fogo, aí não. gente desse naipe eu tesouro mesmo, pela raiz. podem me chamar de grossa, intolerante, mal-educada, intransigente e o que mais tiver no dicionário com significado semelhante. mas eu vou continuar me reservando o direito de ser educada com quem é educado comigo. e de gastar meu precioso tempo (tenho três filhas lindas e um marido igualmente lindo pra curtir, tenho meu trabalho, tenho meus amigos, família, hobbies que adoro, muita gente bacana pra passar o tempo e trocar idéia, é, é precioso pra burro) discutindo apenas quando do outro lado estiver alguém que sabe defender suas opiniões sem desqualificar o outro, sem desfiar preconceitos arcaicos que nem sabe dizer de onde vêm, apenas repete feito papagaio.
não, não se assustem, eu sou boazinha. sou um doce de pessoa, quem me conhece sabe.
mas como boa leonina, não deixo pisarem no meu calo, não.

imagem: we love it

12.1.10

fail


jogando a toalha
(só por hoje)

tirinha daqui

11.1.10

linha do tempo

o meu pai era paulista
meu avô pernambucano
o meu bisavô mineiro
meu tataravó baiano (...)

pra ser sincera, por muito tempo saber das minhas origens não era algo que me interessava especialmente. eu olhava apenas adiante, mirava o horizonte à minha frente e pouca ou nenhuma diferença fazia o que havia ficado para trás. onde estavam minhas raízes, que caminhos haviam sido percorridos pelos que vieram antes de mim para que eu pudesse vir depois. e não sei mesmo de onde veio mas veio, de uns tempos pra cá esse desejo latente de olhar por sobre os ombros e me perguntar de onde eu vim, que histórias e sentimentos e vivências andavam escondidas pelos cantos empoeirados das caixas de fotografias em preto e branco. saí perguntando e fuçando e desenerrando histórias de famílias, e de repente, senti-me personagem em uma canção de chico buarque. com uma avó paulista (paulistana, diga-se de passagem) e outra amazonense (manauara), e um avô mineiro (juiz-forano) e outro baiano (soteropolitano), o que resta em mim é uma miscelânea caótica e indisciplinada, uma mistura indomada de todas as cores, uma bagunça cheia de intensidade e indefinição, auto-retrato perfeito. não consigo deixar de pensar quanto há em mim refletindo a todo instante tal mistura. essa minha recusa às definições e o amor pela liberdade, o avesso às fronteiras e limites e a vontade de andar sempre ziguezagueando, sem pertencer. a pena é não poder saber mais, chegar mais longe na linha brincalhona do tempo, além dos avós e bisavós. com meu pai, ele mesmo também nascido em Manaus, tendo vindo ainda jovem com a família primeiramente para o Rio, e logo em seguida para o que naquele tempo era a terra da garoa e hoje já não é mais, as histórias familiares do lado paterno parecem ter se perdido ao longo das estradas, enterradas com meus avós já há muitos anos. e do lado de minha mãe, família menos itinerante mas de histórias igualmente embaralhadas pelos anos, tampouco sei de contos mais antigos que o tempo dos meus bisavós. origens portuguesas, disso sei. do lado de meu pai, origens africanas e indígenas. devo ser uma autêntica representante da mistura étnica que formou o povo brasileiro. seja como for, o mais importante dessa historieta toda é lembrar que eu tenho um caminho longo e povoado atrás de mim, mas o que faz a diferença é o que está adiante. minha história mesmo é esse caminho que trilho a passos largos ou às vezes nem tanto, esboços mais ou menos acabados que rabisco com traços ora decididos, ora hesitantes, ora contentes, ora cabisbaixos, ora puro temor, ora pura poesia. a maravilha da vida, que no final das contas é essa aí: aqui e agora.


* Chico Buarque, em "Para Todos" / imagem: we love it

8.1.10

oh happy day

milagres batem à nossa porta quando a gente menos espera. é coisa tão despretensiosa que se a gente está distraído, deixa passar. a poesia de um final de tarde jogando dominó no chão da sala, de dançar sítio do picapau amarelo com uma bebê sorridente no colo, de cantar 'nós gatos já nascemos pobres' bem alto acompanhada por duas vozinhas animadas e estridentes. a delícia de uma janta regada a historinhas infantis, de dar de mamar e sentir uma mãozinha tão pequenina procurando o seu rosto, e além de tudo ter como ruído de fundo as risadinhas das mais velhas vindas lá do outro quarto. a gostosura de um abraço bem apertado seguido de um 'eu te amo mamãe' absolutamente espontâneo e inesperado, de duas menininhas de quase 5 anos gargalhando do teu lado enquanto você capricha nas caras e bocas pra contar a historinha do gibi. e no final do dia, você jogada na cama, achando que gastou até a energia que não tinha, ainda ouve de longe: 'puxa, hoje o dia foi muito malaviloso', e pensa que faria tudo de novo incontáveis vezes só pra ouvir essa vozinha contente outra vez.
ah, a delicadeza dos pequenos milgres cotidianos. engraçado, como faz todo o resto valer a pena.

imagem: we love it

6.1.10

cursi

dizem por aí que todo mundo tem seu lado brega. é, dizem por aí, não sei bem quem, deve ser a tal da sabedoria popular. pois eu devo confessar, meu lado brega a-do-ra Roberto Carlos. sim, pasmem, eu me derreto ouvindo as músicas do rei, prontofalei. mas é o roberto carlos das antigas, o roberto carlos de detalhes, proposta, café da manhã e outras letrinhas melosas, docinhas, mas daquela poesia singela e ao alcance da mão, que pega a gente de jeito e quando a gente vê, lá estão os olhos marejados e o coração passeando pelas curvas das estradas de santos sem hora pra voltar. o roberto carlos que canta pras gordinhas, pras baixinhas, pra mulher de 40, de óculos ou sei lá mais quem, esse não faz minha cabeça, não chego a tanto, passo a vez. mas é que hoje eu vinha voando no meu carro em doida disparada quando ouvi proposta tocar no rádio, era comecinho da tarde e o sol vinha entrando pela janela do carro sem pedir licença, eu não tive vergonha de aumentar o volume, e por um segundo me deu uma vontade bem cafona mesmo, vontade de andar de mãos dadas e beijar na boca e dançar de rostinho colado. assim, bem cafona. e gostoso como a vida devia ser sempre.